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SEXUALIDADE
Quando
uma criança vem ao mundo é designada por “é uma menina” ou “é
um menino” Ë um destino enunciado por aqueles que a acolhem, um
destino que parece incontornável para todo o ser
sexuado biologicamente. Porém,
o ser humano não é só biológico e é de imediato imerso na
linguagem. A anatomia deverá levar em conta essa linguagem. Em outras
palavras, o bebê nasce menino ou menina, mas além disso algumas coisas
precisam acontecer para conseguir se tornar homem
e mulher.
O bebê a partir
da mãe vai começando a conhecer seu corpo. A palavra tem potência
transformadora. Sem sua inscrição, o corpo e suas funções entram em
falência. Ë no corpo da mãe que a criança
colhe suas primeiras representações, ou seja, só há boca
porque há seio, só há corpo porque há toque, só a equilíbrio
porque há olhar. (da mãe ou de quem ocupa esse lugar).
Os
adultos se perguntam sobre as crianças com surpresa pela forma com que
se defrontam com as transformações sociais que se processam.
Sabemos
que os brinquedos são outros. É fato que seu saber a respeito dos
objetos muitas vezes supera o de seus pais. Basta estar a seu lado
diante de um vídeo game ou computador.
Não
há comparações possíveis em nossa infância. As imagens eram construídas
em nossa imaginação ao ouvirmos contos, músicas, histórias contadas
por nossos avós. Hoje os livros infantis são plenos de imagens,
gerando uma economia no que seria construído imaginariamente pelos
leitores das mesmas. Hoje não
há prevalência da palavra e sim da imagem.
As
crianças percebem o desvio no olhar de seus pais, das letras para as
imagens. E acabam elas também navegando por essas vias de imagens.
Pouco a pouco, as televisões a cabo e os computadores começaram a
ganhar terreno, dentro da perspectiva da interatividade, com a
possibilidade de escolha e controle sobre as imagens. Nas telas de
cinema ou televisão, as crianças assistem, mesmo que não busquem,
cenas ligadas ao exercício da sexualidade.
Os
apelos publicitários são diretos quando se trata de chamar o olhar
sobre o sexual.
Talvez
não seja por acaso que os adolescentes, estes que a pouco eram
as crianças que assistiam a estes desfiles explícitos de
sexualidade, decidam que “ficar” é uma boa saída. Afinal, em sua
infância, a sexualidade foi apresentada como uma possibilidade de gozo
que muitas vezes remetia ao puro ato. Isto se revela na preocupação
dos pais diante da possibilidade de realização do ato sexual de seus
filhos, em idades precoces.
As
crianças, ao brincar, evidenciam o sintoma da família. Na clínica,
tem sido comum crianças que ao brincar não encontram sustentação
para encenar um faz-de-conta. Pois para elas tudo é estampado. Não há
nada para ser imaginado, investigado.
É
importante saber que é na
infância que há o surgimento das teorias sexuais. A criança investiga
a existência de 2 sexos, a questão da sua origem e da origem dos bebês.
Na
adolescência há um reencontro dos restos da infância perdida. Há um
despertar das fantasias que estavam esquecidas, adormecidas. Porém, na
adolescência o que era fantasia pode tornar-se realidade e começam a
se perguntar sobre seu desejo, sobre a relação sexual, sobre sua existência.
Há
uma excitação que leva ao encontro de um parceiro e aí se perguntam
sobre sue próprio sexo. Esse encontro com o parceiro inclui a
possibilidade de serem pais e isso não havia na infância, tudo era
fantasia.
A
crise é que agora o adolescente ocupa um outro lugar que está
ligado a sexualidade. Esse novo lugar causa solidão em muitos
adolescentes, porque eles se perguntam que lugar é esse
e o que se espera dele.
Maria
Helena Seibt
Psicóloga
Judiciária/Psicanalista
da Clínica Escuta Analítica
Fone:
(0xx11) 3887-9462
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