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Porquê
o Caminho da Psicanálise?
Já
algum tempo esta questão tem estado presente, mas evidenciou-se
após receber a solicitação de um trabalho individual como conclusão
do 1º ano do curso de Formação em Psicanálise.
A escolha
pela Psicanálise não me foi por acaso.
Durante e após
concluir o curso de Psicologia, numa faculdade como muitas outras, em
que nos incentiva para um pensamento comportamentalista, e onde acabou
sendo extremamente restrito o contato com a Psicanálise, mas foi-me
possível escolher na própria faculdade uma supervisão Psicanalista, o
que proporcionou-me um querer saber além. Sabia que existia ali algo
que causava-me grande interesse.
Hoje,
questiono a posição que o Psicólogo ocupa. Principalmente ao que
refere-se ao diagnóstico que prevalece aos profissionais da área.
Tal diagnóstico
é o chamado nosográfico e se dá através da classificação dos
sintomas. É entretanto, o que a prática médica proporciona;
classificação do sujeito através da “doença”, dos fenômenos.
Sendo assim,
onde há a crua? Através do medicamento? Mas este não é o lugar que a
Psiquiatria ocupa? Então qual o lugar que ocupa o Psicólogo?
A Psicanálise
faz outro caminho. Um caminho que no entanto, não é o considerado pela
Ciência. E porquê? Será talvez que para a Ciência o inconsciente não
existe? Ou o inconsciente é considerado algo profundo, algo não palpável,
não visto, por isso não considerado?
Mas pelo que
podemos constatar, a ciência não consegue responder as vicissitudes de
cada sujeito, até porque o convite é para a generalização.
Mas será
que a intenção de Freud era criar uma nova ciência? Talvez. Mas uma
ciência que particulariza, tomando cada sujeito como único.
E considera
cada sujeito, como sujeito da linguagem. E se é sujeito, não ocupa
mais o lugar de objeto.
Ser sujeito
da linguagem é aquele que responde às leis, portanto não pode tudo, o
que o possibilita desejar.
Um convite a
ouvir portanto o que a linguagem transmite, que é a verdade do
inconsciente que se dá através das formações tais como: os tropeços,
as trocas de palavras, os chistes, os sonhos e os sintomas.
Escutar
a verdade que o inconsciente transmite não é uma tarefa fácil. Tal
escuta só nos é possibilitada no momento em que nos autorizamos ouvir
a nós mesmos, para nos darmos conta dos significantes que nos
representa, e só é possível quando estamos inseridos no processo analítico,
onde efetivamente nos tornamos analistas e conhecemos na prática o
sujeito do inconsciente.
Eis a
grande diferença que a Psicanálise proporciona. A possibilidade de só
nos tornarmos analistas, após a escuta de nós mesmos; após
levantarmos questões que nos possibilitará lidarmos diferentemente com
nosso sintoma.
Entretanto,
parece que para a Psicologia, escutar a si mesmo não é condição sine
qua non para abrir um consultório e sair atendendo a várias pessoas,
muitas vezes sem a condição necessária; e as conseqüências deste
ato são na maioria escabrosas e contribuem para a imagem que hoje tem o
Psicólogo.
Mas
não acontece somente com a Psicologia. A própria Psicanálise é
rodeada de pessoas que se intitulam analistas, mas que ignoram a ética
do desejo. Eis um exemplo recente de uma matéria de revista, onde um
aluno diz: “ Mas, se tenho uma paciente adúltera que se recusa a
parar de trair o marido, eu abandono o tratamento.” (VEJA,
20/09/2000).
Este
é um dos vários exemplos, talvez um exemplo de que a Psicanálise
desperta interesse, e haver-se com ela tem conseqüências, pois é
aquela que questiona o que é considerado óbvio para alguns ou o que é
considerado destino para outros.
Isso
é também o que a cultura
nos oferece, de sermos por vezes amordaçados pelo que a sociedade
prega. Ou até mesmo como disse Claudia Lanzarim em seu artigo
“ A Fantasia e o Baile de Máscaras do final do Milênio” – disse
que “viver em sociedade capitalista, desigual e individualista, que
busca normatizar, controlar e tutelar o dissidente, a originalidade, não
é tarefa fácil”; ou como citou Duarte Jr.., em seu livro “A Política
da Loucura”... “ os filhos são educados para submissão e não para
a autogestão.
E
ainda vale citar o filme, cujo título é: “Instinto” com Anthony
Hopkins que questiona esta mesma “Política de Loucura”, cujo
personagem principal, um antropólogo, foi rotulado pelo sistema como
sendo psicótico e brutalizado com doses avançadas de medicamento e que
acabou respondendo a tudo isso negativamente.
Demonstra
além disso como acaba sendo o trabalho de uma instituição,
cuja estrutura panópitica constrói um louco. E traz a mensagem
de que “nada é mais selvagem do que a civilização”, assim
podemos interpretar que se assim desejarmos nos tornamos dominados
e reproduzimos por toda a vida as mesmas atitudes. Talvez
seja por gostar de permanecer na ignorância, como já disse
Lacan.
A
escolha feita pela Psicanálise se dá exatamente pelo fato de que ela
se constrói a partir de cada caso, e não sobre o “drogado”, ou o
“doente Mental”, mas sim a partir de cada sujeito, pelo que este diz
e através de sua história, esse é o diagnóstico considerado pela
Psicanálise.
Jucileide
Souza de Santana
CRP
06/55473-0
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