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JORNADAS
DA ESCOLA DA CAUSA ANALÍTICA
"A CURA NA PSICANÁLISE"
Realizamos
na histórica cidade alagoana, Penedo,
dia 25 de junho a palestra acima citada.
O evento foi organizado pela psicóloga Patrícia
Soares, coordenadora do Programa Saúde
e Família – PSF do local.
Compareceram
psicólogos, educadores, médicos e estudantes.
O trabalho apresentado, pela psicanalista Andreneide Dantas,tratou
de diferenciar a psicologia e psiquiatria da psicanálise,campos
de trabalho que são muito confundidos. Foi falado
desde os historiais da Psicanálise, o encontro de Freud com os neurologistas: Charcot
e Breuer, a investigação com suas
pacientes, sua história de vida, a formação
dos primeiros psicanalistas até os dias de hoje,
com o que compreendemos como parte da formação
do analista: a análise, formação teórica
e supervisão.
Foi
marcado a diferença entre os sintomas que os pacientes
apresentavam em 1900, quando procurava
o descobridor da psicanálise, para os sintomas que
os pacientes apresentam quando nos procuram. Se antes, as
histéricas chegavam cegas e paralíticas, hoje
temos os pacientes que sofrem de depressão,
pânico, impotências - no trabalho e
na sexualidade - dependência de drogas, crianças
com doenças que desconcertam a medicina, dificuldades
escolares, etc. Todas essas, patologias do dizer.
A psicanálise possibilita justamente, que cada sujeito
sofredor – seja qual for o sintoma- possa descobrir
seu desejo inconsciente, sua participação
e responsabilidade no mal que sofrem. É descobrindo
o que deseja, o que o orienta e desorienta no mundo em relação
à sua história infantil, que cada um pode
abrir mão das amarras que o deixa impotente diante
do Outro. Assim poderá dentro dos limites ter momentos
felizes e produtivos.
Andreneide Dantas - Psicanalista
ALGUMAS
PERGUNTAS RESPONDIDAS NA PALESTRA "A CURA EM PSICANÁLISE"
1. Segundo a psicanálise até que ponto
o âmbito familiar interfere no comportamento sexual
do indivíduo?
É
na infância que a sexualidade de uma pessoa é
definida, em relação ao objeto de desejo sexual.
A sexualidade não é natural, por isso, nem
sempre o desejo sexual coincide com o sexo anatômico.
Todos nós precisamos do simbólico, da linguagem
para aceder a posição sexual. A estrutura
familiar, com a colocação dos limites é
imprecindível para que cada um possa escolher o sexo.
Essa escolha não é algo natural, existe todo
um trabalho, desde quando a criança começa
a descobrir sobre o sexo, onde carece de respostas diante
do que sente, e as respostas que possa receber do outro
(mãe, pai ou quem cuida dela) é fundamental
para o comportamneo sexual dela na vida adulta.
2.
A senhora pode falar um pouco sobre as crianças adotivas
e por que elas sentem mesmo sem os pais falarem que são
adotivas. Será que eles acham que são tratados
de forma diferente?
Possivelmente
são tratadas diferentes, pois não é
possível que uma criança seja tratada igual
a outra. Cada filho tem seu lugar na estrutura da família:
tem um nome diferente, idade, momento do nascimento, o que
os pais esperavam, etc. Mas agumas famílias tem a
ilusão ou equívoco de achar que podem tratá-los
iguais, daí não respeitam as diferenças
de cada uma, isso tratá consequências por vezes
desastrosas.
As
crianças ouvem e sentem desde quando são bebês,
até antes de nascerem já existe uma história
que as antecede. Mesmo que algo não seja contado
verbalmente, diretamente, elas sabem, porque ouvem e veêm
o que acontece, não tendo ainda elementos para entender
claramente o que acontece, é nesse ponto onde se
angustiam e fazem sintomas.
Então,
como poderia ser diferente para as que são adotivas?
3.
Uma pessoa que tem atitudes masoquistas pode agir dessa
maneira devido a sua infância?
Sim,
o masoquismo é um dos sentimentos experimentados
na infância, assim como o sadismo. Todos nós
passamos por essas fases, só que algumas pessoas
por sua história de vida, fixa-se e mantém
na vida adulta esta forma de lidar com o mundo. Algo que
era para ser uma passagem normal, volta-se para um ponto
fixo, por algum acontecimento e o sujeito não consegue
estabelecer relações diferentes, sem sofrerem,
assim colocam-se em suas relações como aquele
que sofre, não tendo outra possibilidade.
4.
Uma pessoa pode se curar de um trauma sem procurrar um psicanalista?
Se
for um trauma, acredito que não, pois somente um
trabalho onde o sujeito possa falar e desfazer as equivalências
sintomáticas, permite que possa curar-se. O que pode
ocorrer é que algumas pessoas encontrem outras formas
de lidar com algum trauma ocorrido (um acidente, morte,
assalto, etc.) ou podem deslocar um sintoma para outro,
talvez um que o permita fazer coisas que ele não
fazia antes, mas isso não quer dizer que se curou.
5.
Porque uma menina (criança) de 03 anos fica atenta
quando vê cenas de beijos na televisão e um
certo dia estava na cama da mãe se beijando com uma
prima e também beijou o primo.
Quando a mãe presenciou ficou apavorada e bateu muito
nesta criança. Essa atitude da mãe foi correta?
como conversar com essa criança?
Porque
desde cedo as crianças tem sexualidade, não
é verdade que ela existe somente à partir
da adolescência. As crianças são sujeitos
de desejo, e quando começam a conhecer seu corpo
passam a investigar com colegas e irmãos sobre a
sexualidade.
É
importante que isso não seja reprimido, nem também
estimulado, precisa sim, ter limites. É fundamental
que os pais possam responder a seu filhos sobre o que eles
perguntam, dentro dos limites. Que possam diferenciar os
relacionamentos que as crianças tem dos relacionamentos
dos adultos. Existem coisas que somente são permitidas
aos adultos ou adolescentes e não as crianças.É
muito importante que sejam claros, que não mintam
, nem inventem nomes estaparfúdios, que o corpo e
o sexo seja nomeado corretamente, para que não haja
confusões nem tabus.
6.
O que fazer quando não se sente feliz numa profissão?
É
preciso que cada um descubra o que realmente quer fazer,
o que deseja e que possa trabalhar para realizá-lo.
Mas muitas vezes só é possível descobrir
o que deseja, quando o sujeito faz uma análise. Que
é a análise do discurso, do desejo inconsciente,
onde cada um pode descobrir sobre o que aconteceu em sua
infância que o amarra no sintoma que carrega hoje.
25
de junho de 2002
Estas perguntas foram feitas durante o evento por escrito,
o que permitiu que pudéssemos transcrevê-las
Andreneide Dantas - Psicanalista
 
OUTRAS PALESTRAS
LIMITES – Uma das mais preciosas heranças a transmitir
Com o avanço da ciência, imperativos do capitalismo para o consumo desenfreado, globalização, carga excessiva de trabalho e afrouxamento das leis, a educação sofreu algumas alterações.
A família também mudou, impulsionada pelas mudanças citadas acima e pelas novas formas de união familiar. E como conseqüência de todas essas mudanças, a estrutura familiar sofreu alguns abalos. Temos também constatado um declínio da autoridade paterna e isso traz conseqüências para todos os integrantes da família principalmente para os filhos, que ficam sem parâmetro ou limite para estar com outros.
Como os pais têm menos tempo disponível para estar com seu filhos(por- que “precisam” trabalhar mais tempo) culpam-se e questionam-se sobre o que fazer com seus filhos. O que fazer quando estão com eles? Como transmitir os valores herdados? E de que forma? Como colocar os limites? Até onde podem ir? São algumas das inquietantes interrogações.
Sendo a família e a escola instituições simbólicas marcadas por normas que remetem a leis, elas são lugares que estruturam o sujeito para que ele viva saudavelmente em sociedade.
Assim, convidamos aos responsáveis pelas escolas e aos pais a falarem e escutarem a causa do mal–estar que impede a cada um em colocar LIMITES em seus filhos.
Propomos palestras que serão realizadas nas escolas entre psicanalistas, pais e professores, com o objetivo de proporcionar um lugar de reflexão sobre a importância dos limites para a estruturação psíquica sadia de cada um.
Se houver interesse, entre em contato através do telefone (0xx11) 3887-9462.
Andreneide Dantas
Psicanalista
Diretora da Clinica Escuta Analítica
Ensinante do Instituto Tempos Modernos
Outras Palestras realizadas:
- Escolas:
- JOHANN GAUSS
- DONALD WINNICOTTI
- BONI CONSILII
- CRECHE CÕNEGO RUY
- Universidades:
- Universidade São Judas Tadeu - Curso de Psicologia
- Universidade Ibirapuera – Curso de Psicologia
Parceria do Instituto Tempos Modernos e OAB/SP
Foi
com grande sucesso que realizou-se o Painel: "A resposta
do inconsciente à violência - A SUBJETIVIDADE
DA CRIANÇA ATRAVÉS DA ESCRITA E DO DESENHO",
nos dias 27 e 28 de novembro de 2001 no Espaço Cultural
da OAB/SP.
O
evento foi resultado de uma parceria do Instituto Tempos Modernos
com a Subcomissão dos Direitos Humanos da Ordem dos
Advogados do Brasil - OAB/SP.
O objetivo do trabalho foi fazer uma leitura psicanalítica
dos desenhos e textos apresentados por crianças de
7 a 10 anos matriculadas no ensino fundamental, moradoras
de uma região bastante violenta da cidade de São
Paulo.
Este trabalho inicialmente foi proposto pela Coordenadora
da Subcomissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Margaret
de Souza para que as professoras de uma determinada escola
pedissem a seus alunos para desenharem e ou fazer uma redação
sobre uma frase: "João ficou triste
"
, cada aluno então, falou de si mesmo. As psicanalistas
Andreneide Dantas e Joaceri Merlin do Instituto Tempos Modernos
fizeram uma leitura psicanalitica, pois a interpretação
somente poderia ter sido feita com a presença da criança
no consultório em análise.
Foi mostrado através dos desenhos e redações
que elas não estão alheias ao que lhes acontece
em casa, na escola e na rua.
As crianças vêem e ouvem o que acontece ao seu
redor e muitas vezes por não encontrar palavras que
dêem conta destes fatos se angustiam e somatizam. Revelam
isto, apresentando os mais variados sintomas: desde a agressividade,
violência, dificuldades escolares, depressões
à dependências de drogas.
Se uma criança com essas dificuldades não é
ouvida e tratada adequadamente torna-se um adulto desestruturado
, engordando uma camada da sociedade que cresce a cada dia
mais violenta.
A palavra é essencialmente humana, através dela
articulada ao nosso desejo podemos provocar mudanças.
São muitos os que repetem várias palavras e
não sabem o que dizem, assim, vivem suas misérias
cotidianas colocando-se como pobres coitados , atribuindo
ao destino e aos outros seu sofrimento. Acreditando que nada
podem fazer para mudar suas vidas.
Falar não é sem consequência e os ouvintes
puderam sair tocados justamente porque puderam escutar.
Recentemente algumas pesquisas tem constatado o que estamos
falando há algum tempo: que não é somente
a pobreza que gera a violência, mas a falta de comprometimento
com a palavra, com o sentido que cada um dá a sua vida.
E isto é transmitido de geração a geração.
A mesa foi composta pela Advogada Dra. Margareth de Souza
,Coordenadora da Subcomissão de Segurança Pública
da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Dra Eunice
Aparecida de Jesus Prudente, Advogada e Secretária
Adjunta da OAB/SP, Dr. Alexandre Trevizzano Marin, Advogado
e Acessor Executivo da Comissão de Direitos Humanos
da OAB/SP, Andreneide Dantas, Psicanalista , Coordenadora
de cursos do Instituto Tempos Modernos e Diretora da Clínica
Escuta Analitica e Joaceri Merlin ,Psicanalista, Coordenadora
de cursos do Instituto Tempos Modernos ,que proferiram as
conferências.
Dentre os participantes esteve presente advogados , policiais,
psicólogos, psicanalistas, estudantes de psicologia,
Direito e Jornalismo.
O debate que segui-se às conferências foi bastante
proveitoso e dentre as questões mais debatidas, destacou-se
o interesse em saber como os pais podem colocar limites em
seus filhos e neles próprios ,para que possam crescer
ajustados e estruturados, o que podemos ler como responsáveis
pelo que dizem e fazem.
Aceitando o fato de que somos humanos e temos limites, podemos
viver de uma outra forma, mas para isso é preciso que
saibamos o que dizemos.
Este trabalho foi gravado em vídeo conferências
e é itinerante.
Esteve em dezembro no Centro Cultural Vergueiro e em Breve
estará no metrô SP e viajará para cidades
vizinhas.
As datas e locais do Painel: A resposta do Inconsciente à
Violência - A subjetividade da Criança através
da escuta e dos Desenhos será publicado neste Site.
Abaixo seguem algumas publicações sobre o trabalho:
Resposta
do Inconsciente Infantil à Violência
A
Subcomissão de Segurança Pública da CDH
da OAB-SP realizou, em parceria com o Instituto Tempos Modernos,
em Louveira, interior do Estado de São Paulo, um painel
dirigido a professores da Rede Municipal de ensino da região,
que contou com a presença de mais de 160 profissionais.
A Organização ficou a cargo da Subcomissão
e da Secretaria de Cultura da cidade. O objetivo era fazer
uma leitura psicanalítica dos desenhos e textos apresentados
por crianças de 07 a 10 anos, matriculadas no ensino
fundamental, moradoras em regiões violentas da capital.
O
evento, proposto pela Subcomissão, visava, também,
estimular professores de uma determinada escola a realizarem
atividade como desenhos e redações com seus
alunos sobre a frase: "João ficou triste...".
Como esperado, cada trabalho trazia a visão do aluno
sobre a sua vida.
Coube
às psicanalistas Andreneide Dantas e Joaceri Merlin,
membros da Sub-comissão e Diretoras do Instituto, realizarem
a leitura psicanalítica, para que os profissionais
entendessem a simbologia utilizada.
O
painel mostrou que as crianças não estão
alheias ao que acontece em casa, na escola e na rua. Elas
enxergam e ouvem o mundo ao seu redor e, muitas vezes, por
não encontrarem palavras que transmitam isso, ficam
angustiadas. Isso pode ser constatado pelo comportamento das
crianças que tornam-se mais agressivas, violentas,
começam a ter dificuldades escolares, sintomas depressivos
e até dependência de drogas.
Por
isso, é importante que os adultos falem e escutem as
crianças. Assim, elas poderão articular melhor
o que vêem e escutam, abrindo a possibilidade para elas
se posicionarem melhor em relação ao seu mundo:
família, escola e grupo de amigos, o que reverterá
em uma outra direção para a sua adolescência
e vida adulta. O desenho é uma forma da criança
"mostrar" o que não está conseguindo
falar.
Margaret
de Souza, coordenadora da Sub-comissão, informou que
o painel foi criado com o objetivo de conscientizar as comunidades
sobre a importância da subconsciente para conter a violência.
A paletra poderá ser realizada, se solicitado o agendamento
para a sua região. Para tanto, será necessário
um contato com a Sub-comissão, através do telefone:
3116-1157 ou pelo e-mail: seg.public.cdh@aobs.org.br.
Matéria publicada no Informativo de Comunicação
da Subcomissão
de Segurança Pública da Comissão de Direitos
Humanos da OAB-SP
Ano I - No. 1 - Dezembro/2002
Atendimento
Psicanalítico às Crianças em Situação
de Rua
A
Sub-comissão de Segurança Pública da
CDH da OAB-SP e o Instituto Tempos Modernos fizeram uma parceria
para o atendimento psicanalítico às crianças
e adolescentes que vivem nas ruas. O obejtivo do trabalho
é ouvi-las, entender um pouco a maneira como vivem,
sua trajetória e o motivo que as levaram às
ruas e devolvê-las uma perspectiva de vida.
O
projeto começou no último mês de julho,
com uma trabalho de escuta feito por um membro da Sub-comissão,
a educadora edith M. Barreto Ferreira, que já desenvolve
esse trabalho há algum tempo. Num primeiro momento,
houve resistência por parte delas, justamente porque
a análise desencadeia os medos internos que normalmente
estão escondidos e começa a nos mostrar a realidade
em que vivemos.
Na
maioria dos casos levantados, as relações familiares
dessas crianças eram conturbadas, não desfrutavam
de um ambiente seguro e sofriam violência tanto física
como verbal. Ou seja, não tiveram uma estruturação
psíquica favorável para mantê-las longe
da criminalidade.
Para
elas, sobreviver é sair pedindo ou tirando de outras
pessoas nas ruas, o que não pode desfrutar para se
manter. Tornando-se delinquentes, pedintes, usuários
de drogas, agressivos, etc.
A
falta de garantias básicas para o seu desenvolvimento,
como: alimentação, banho, educação,
recreação e, principalmente, de atenção,
e o abandono familiar resultam, inclusive, na perda da noção
do tempo. Ou seja, não sabem dizer qual o dia, mês
e ano que estão vivendo, quanto tempo estão
nas ruas e muitas, inclusive, esquecem até seu sobrenome,
sua principal ligação familiar.
Com
o atendimento psicanalítico, tanto a Sub-comissão
da OAB como o Instituto Tempos Modernos pretendem oferecer
um dispositivo para quebrar a barreira existente entre a sociedade
e esses jovens e criar uma perspectiva para suas vidas. E
o fato delas começarem a ser ouvidas, entendidas e
amparadas, possibilitará que passem a se organizar
psiquicamente e serem responsáveis por seus desejos
e atos. Passando, assim, a não mais se classificarem
como "pobres coitadas", mas como pessoas que podem
ter um destino diferente.
Matéria
publicada no Informativo de Comunicação da Subcomissão
de Segurança Pública da Comissão de Direitos
Humanos da OAB-SP
Ano I - No. 1 - Dezembro/2002
Repercussão
da Exposição feita na sede da OAB
Alunos
de escola pública mostram seu/cotidiano em exposição
na sede da OAB
Em
uma ou outra folha qualquer de papel, o desenho de um sol
amarelo surge esporadicamente. Mais constantes, em vez da
cena bucólica sugerida em Aquarela, de Toquinho, são
retratos nem um pouco inocentes da violência, desenhados
por alunos de escola pública na periferia da capital.
As
crianças, com idades entre 7 e 10 anos, mostraram em
figuras e redações problemas presentes em seu
cotidiano, como a criminalidade e o alcoolismo.
Os
trabalhos ficam expostos hoje na sede da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB).
Foram
selecionados 54 textos e ilustrações entre mais
de 200, feitos no começo do ano, sobre o tema sugerido
por uma psicóloga. O trabalho dá continuidade
ao mapeamento dos pontos de drogas na Cracolândia, no
centro, desenvolvido pela Subcomissão de Segurança
Pública da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
As
crianças contaram por que "João" ficou
triste. Acabaram mostrando as cenas de dor e violência
a que elas próprias são submetidas, geralmente
dentro de casa. "Foi como um processo artístico.
Elas trabalham a frase 'João ficou triste' na terceira
pessoa, mas falando de si mesmas", explica a psicanalista
Joaceri Merlin, uma das duas profissionais que traduziram
os desenhos e redações.
Poucas
crianças citaram cenas como uma queda acidental ou
uma falta num jogo de futebol. A maioria lembrou brigas, surras
do pai alcoolizado ou o irmão que assaltou a família
para comprar drogas. Uma ilustração mostra um
homem disparando contra o animal de estimação
do filho. O trabalho tem a legenda: Na Páscoa meu pai
matou meu coelho com um tiro.
"A
violência passa a ser banal, cotidiana. E isso se estende
de geração para geração",
alerta a psicanalista Andreneide Dantes, que também
fez a leitura dos trabalhos. Como solução, as
especialistas apontam a reestruturação familiar,
por meio de centros de atendimento, e palestras em empresas
e escolas.
Alcoolismo - Na maioria dos textos e desenhos, o pai de "João"
é alcoólatra. Chega em casa bêbado e bate
no filho. "É um problema maior do que se imagina",
diz a coordenadora da subcomissão da OAB, Margaret
de Souza.
Um
dos garotos contou que "João" ficou triste
porque apanhou dos pais sem razão. A vizinha viu e
chamou a polícia. A mãe e o pai agressores foram
levados para a delegacia. Em outra redação,
João pergunta por que o pai bebeu.
-
Não te interessa!, responde o pai.
-
Lógico que me interessa.
-
Ora, agora você vai apanhar!, fala o pai.
A
exposição A Resposta do Inconsciente à
Violência - A Subjetividade da Criança através
da Escrita e dos Desenhos será itinerante. O Metrô
está em contato com a OAB para abrigar os trabalhos.
"Também vamos mostrar os resultados para as Secretarias
estaduais e municipais de Saúde e Educação",
afirma Margaret. Na abertura, ontem, às 14 horas, especialistas
debateram o trabalho. "O fundamental é constatar
que as crianças não são alheias à
violência", afirma Andreneide. (Iuri Pitta)
Fonte:
O Estado de São Paulo - Edição
de 29/11/2001
Trabalhos
Infantis revelam a Violência
Uma
exposição para aqueles que menosprezavam a visão
das crianças sobre as coisas. Assim pode ser considerada
a exposição "A Resposta do Inconsciente
à Violência", realizada hoje e amanhã
pela comissão de Direitos Humanos da seção
São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB - SP),
no Espaço Cultural da OAB.
O
evento tem como objetivo mostrar os desenhos e redações
de crianças de 7 a 10 anos que vivem na periferia e
convivem com a violência.
Através
de uma pesquisa nomeada "A Subjetividade da Criança
Através da Escuta e do Desenho", a OAB,
o Instituto Tempos Modernos e a Clínica Escuta
Analítica concluíram que, independente da
idade, as crianças estão atentas a tudo que
lhes é mostrado e falado. Como não têm
palavras para se expressar, acabam ficando angustiadas.
Segundo
a coordenadora da Subcomissão de Segurança Pública
da OAB - SP, Margaret de Souza, a principal idéia é
chamar a atenção dos pais, professores e da
sociedade para esse fato.
"A
criança demonstra na sala de aula o que passa em casa,
nas ruas e na própria escola. Ela ouve e vê muitas
coisas, mas não tem como se expressar, ficando angustiada
e a beira do precipício do círculo vicioso",
diz Margaret.
A
exposição percorrerá outras cidades para
alertar sobre esta realidade e, ao mesmo tempo, sensibilizar
as secretarias dos estados e dos municípios para continuar
com esse trabalho.
"A
Resposta do Inconsciente à Violência" estará
aberta das 14h às 20h30, no Espaço Cultural
da OAB, que fica na Rua Senador Feijó, 143, 1o. andar,
Bela Vista, no Centro.
Murilo
Montiani - Jornal Diário de São Paulo - 28/11/2001
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