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Limites
Um
dos mais preciosos dons que os pais podem oferecer aos filhos.
Quando
a criança nasce é um ser indefeso, está
totalmente na dependência do Outro. Se o outro –
geralmente é a mãe que vai a esse lugar
– não alimentar, banhar, cuidar, ela não
viverá. Depende totalmente que o outro deseje fazer
qualquer uma dessas funções, para que a criança
possa viver e crescer saudavelmente.
A
mãe também precisa falar com seu filho,
pois se ela não o fizer ele terá dificuldades
ou não poderá falar, aqui encontramos todos
os exemplos de mutismo ou agressividade.
É
muito comum encontrarmos adultos que não falam com
as crianças, que não a escutam, porque acreditam
que elas “não entendem o que falamos”.
O que não sabem é que as crianças tem
condições e direitos de falar e de serem escutadas
por seus pais e de saberem o que acontece com eles, no que
diz respeito a ele como filho, guardando as proporções
do que é possível de ser dito.
Os filhos
são falados antes de nascerem- já existe no
discurso de seus pais - e depois quando nascem, durante um
determinado tempo, ainda continuam sendo falados por eles
até que possam ter condições, físicas
e psíquicas de adquirir a fala e poderem falar eles
mesmos. Dizer o que querem, o que gostam, serem escutados
e respeitados.
Mas, o
que encontramos são pais que não escutam seus
filhos, não conversam com eles, por acreditarem que
eles não entendem, que são muito pequenos e
não tem desejo ainda.
Ao contrário
do que muitos imaginam, a infância não é
um paraíso. As crianças sofrem, se angustiam
e se desorganizam por conta disso. Quando elas não
conseguem falar, explicar e compreender o que lhes acontecem,
adoecem, e aqui encontramos todas as doenças repetitivas:
gargantas inflamadas, gripes recorrentes, otites, alergias.
Todas as doenças que aparecem em seu corpo quando a
palavra foi sufocada ou quando doeu no ouvido o que escutaram.
Não
é raro os pediatras diagnosticarem “virose”
para os males que não tem explicação
consciente e nessa série entram os mal–estares
como: febre, gripe, garganta inflamada, vômitos e diarréia.
E se os pais ficarem atentos e lembrarem o que estava acontecendo
pouco antes desses mal-estares, virão com alguma clareza
que “algo” aconteceu. “Algo” antecedeu
aquele sintoma. Pode ter sido uma mudança, uma viagem,
um grito, uma bronca ou até mesmo um presente que ganharam
quando esperavam uma palavra ou um limite.
É
fundamental que os adultos que se ocupam de crianças,
tenham uma certa organização psíquica
que lhes possibilite ter condições de poder
dar limites às crianças. Para que elas elas
saibam que não podem fazer tudo. Ninguém pode.
Elas precisam ir aprendendo – desde que nascem –
que existem determinadas coisas que são possíveis
de fazer e outras não. Que tem lugar e tempo para cada
comportamento, e fundamentalmente que seus pais são
castrados, que tem limites e que precisam ser respeitados.
Existem
pais, que em consultas, falam que acreditavam não ser
importante colocar limites em seus filhos, por achar que assim
o estariam “podando”, e com esse
significante criam seus filhos como se fosse plantas ou vegetais.
O que
salva o sujeito da loucura, delinquência, dependência
de drogas, fracasso escolar entre outros sintomas é
justamente o fato de que tenham recebido limites, que o não
possa ter operado para ele. Se não for assim o sujeito
vai procurar em outra instituição - que não
a familiar – os limites. Procuram no manicômio,
nos remédios, no juiz ou no policial, os limites que
não tiveram em casa.
E porquê
os adultos, principalmente os pais, tem dificuldades em colocar
limites em seus filhos?
Porque
dar limites ao filho equivale a limitar a si próprio,
e isso é o que muitos não suportam, porque isso
os remete à sua castração, a seu lugar
de filho ou filha. E na maioria das vezes esse lugar foi confundido.
Um paciente disse que a tudo que seu filho pedia ele respondia
sim. E algumas vezes sabia que isso o atrapalharia- a ele
e o filho – mais não conseguia fazer diferente
pois quando era criança passou muita privação
e recebia muito “não pode” de seus pais.
Nesse
exemplo o que evidenciamos é o fato de que a maior
parte das vezes os pais educam seus filhos parecido com a
criação que tiveram na infância. A referência
que têm é a de seus pais,.e a repetem com seus
filhos, mesmo quando acreditam que fazem todo o contrário
ainda é em referência a esse modelo
Ser pai
ou ser mãe não é algo natural, vai depender
da estruturação psíquica de cada sujeito
para que ele possa tornar-se pai ou mãe. Não
nascemos sabendo como fazer isso, precisamos do discurso familiar,
da castração, dos limites para que acedamos
a essa posição. Se fosse algo natural ser pai
ou mãe, não encontraríamos homens e mulheres
que adoecem ou enlouquecem quando experenciam esse fato.
Quando
os pais sustentam seu lugar, no mesmo instante reconhecem
seu filho e a criança pode ser reconhecida como filho
de fulano e Sicrano. Tendo um lugar que o diferencia dos outros,
não ficando somente como uma criança, mas um
sujeito desejado por seus pais.
Os
pais que transmitem seu desejo de pais, são
transmissores da lei, onde delimitam o lugar e o
espaço de cada sujeito na família, onde cada
um pode se reconhecer responsável pelo que diz e faz.
Assim seus filhos podem crescer sadios, tendo êxitos
no social – na escola, nos grupos de amigos , preparando
o caminho para tornar-se um adulto responsável por
seus atos.
Andreneide
Dantas
Psicanalista - Tel. (0xx11) 3887-9462
E-mail: clinica@escutaanalitica.com.br
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