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A
Questão do desejo nos jogos Olímpicos de Sidney
Proponho
fazer neste trabalho uma relação entre as perdas
de medalhas , nos Jogos Olímpicos de Sidney, com a
questão do desejo através de uma leitura psicanalítica.
Acompanhando o evento percebi que determinados acontecintos
se relacionavam mais com a questão do desejo, do desejo
do sujeito de que, propriamente, com a falta de patrocínio.
Pois ouvimos sempre relacionarem a falta de medalhas com a
falta de recursos, será que é isso mesmo que
acontece?
Nas principais modalidades como a natação, o
vôlei e o basquete que têm grandes empresas patrocinadoras
investindo, inclusive em viagens e torneios para que essses
atletas tenham alguma experiência antes de enfrentarem
uma Olimpíada e que, mesmo assim, com todo esse investimento
essas equipes não somente através de patrocínio
teremos medalhas? Claro que a questão financeira contribui
para esta finalidade, mas se o sujeito/atleta não aparece
com seu desejo de que adiantará tantos patrocínios?
Para exemplificar vejamos o caso do atleta Rodrigo Pessoa:
um campeão mundial cujo desejo está voltado
para obter uma medalha olímpica, pois segundo ele é
a única que lhe falta.
É
através de uma falta que o desejo aparece, e nesse
caso, podemos relacionar que após a conquista de uma
medalha olímpica na categoria conjunto onde a equipe
na qual participava ficou com segundo lugar na competição,obtendo
a medalha de prata, não houve mais interesse em participar
pois conseguiu o que queria, ter uma medalha olímpica.
Desse modo pensei que não havia mais o por que estar
competind, na etapa individual, se conseguiu a medalha que
tanto queria e, sendo assim, qual o desejo de continuar competindo
se o mesmo for a alcançado? Para essa resposta temos
o próprio comportamento do atleta em questão:
a sua desclassificação.
E o que pensar a respeito da torção no pé
do nadador Xuxa alguns dias antes da competição?
Segundo ele foi uma coisa boba e onde a mesma ocorreu em casa.
Lembrando de uma das aulas em que se falou sobre o sintoma,
de que este vem para afastar o desejo do sujeito e, neste
caso, fiquei pensando qual seria o desejo desse nadador, já
que o mesmo possui patrocínio, reconhecimento, medalhas,
qual seria o seu desejo nestes jogos? Pois o que vimos, foi
que se utilizou desse sintoma para justificar o seu baixo
desempenho, ou a sua falta de desejo.
Agora fazendo um paralelo com a para-olimpíada em que
os atletas deficientes físicos alcançaram 23
medalhas contra 12 medalhas dos atletas normais onde estaria
tanta diferença?
Os atletas para-olímpicos por terem uma falta real
no corpo, não ter um braço, uma perna, ser paralítico
não se colocam em um lugar de morto, ou seja, eles
saem desse lugar de ser a falta dando espaço para que
o desejo apareçae, com isso, não gozam com o
próprio sofrimento, com o sintoma.
A questão do desejo de atleta, aqui no caso, foi fundamental
para o seu desempenho nesta competição, muito
mais do que a questão de patrocínio. O desejo
faz com que o sujeito caminhe sem precisar adoecer, porque
quando o sintoma aparece no lugar do desejo o sujeito apenas
goza.
Karla
Lunet Álvares de Azevedo
Psicóloga- Tel.: 3722-3687 (consultório)
Trabalho
apresentado na Conclusão curso "Sobre o Desejo"
no Instituto Tempos Modernos.
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