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Depressão
Sintoma de nossa época.
Hoje em dia a categoria clínica denominada “Depressão” é assunto corrente
nos hospitais e motivo principal de encaminhamento: os médicos, os
pacientes, os jornais, os vizinhos, todos falam de depressão.
Infelizmente, atualmente, as investigações se baseiam
em demonstrar a eficácia medicamentosa. Até as crianças
são diagnosticadas e medicadas, e muitas vezes erroneamente.
Devemos pensar a depressão por um lado, como expressão do
mal estar na Cultura, como renúncia ao desejo e, por
outro, considerar a crise de nossa sociedade capitalista:
a desestabilidade dos significantes e o efeito que isto
provoca no sujeito que sempre tem trabalhado para sua
“adaptação”.
A depressão para nós analistas, é um estado clínico de tristeza,
de angústia, de abandono de um certo número de atividades
que a pessoa fazia até então, ou uma dificuldade para
cumprir suas atividades.
É uma mescla de tristeza, culpa e angústia que pode levar
ao suicídio e pode ocorrer em qualquer estrutura ou situação existencial.
É um abandono do sujeito, daquilo que antes o sustentava na vida
em relação ao que ele costumava ser ou suportar frente aos outros.
Surge sempre num momento significativo para o sujeito. Não
existe depressão que aconteça por “casualidade”. Está
ligada então a um momento que se inscreve na história
do sujeito, quer seja no momento que se aposenta, por
morte de um ente querido, perda do objeto de amor, perda
do trabalho ou depois do nascimento de um filho.
Sabemos da incidência da psiquê sobre o corpo ou, do inconsciente sobre
o corpo e, ás vezes o sujeito é incapaz de aproveitar a incidência
da palavra sobre si mesmo. Onde a palavra falta, ou fica vazia
de significação, o corpo responde com os sintomas, o que era silêncio
dos órgãos é despertado ( ex: vômitos, diarréias, emagrecimento,
aumento de peso,etc.)
É pelo fato dos sujeitos não saberem aproveitar a incidência
da palavra sobre si, que continuamos nos ocupando deles,
para que possam seguir falando e encontrado o seu dizer,
para que escutem os equívocos que a palavra carrega,
para que assim possam dizer da dor de existir, do mal
estar na Cultura.
É na “falta” das palavras que a depressão encontra sua existência. Freud
diz que o sintoma é sinal substituto de satisfação pulsional que
não se realizou. Para poder escutar e articular isso, devemos escutar
o paciente. A ciência tenta calar o paciente, para ela não importam
as palavras, os significantes. Hoje o que está mais em voga são
os anti-depressivos, os testes computadorizados ou o mapeamento cerebral.
Utilizam-se destes recursos na tentativa de encontrar o neurotransmissor
ou o gene que não funciona. Mas, e quanto a deixar o
sujeito falar do que lhe acontece, para que diga, fale desse “órgão”
que não se cala, que grita, que mostra que as coisas não vão nada
bem?
A medicina encontrou medicamentos que efetivamente devolvem
a expressão às pessoas. Isto é um progresso das drogas
medicamentosas sem dúvida , com seus efeitos mais “rápidos”,
que servem para melhorar o humor e deslocar os sintomas.
Mas existem pessoas que jamais se satisfazem com uma melhora sintomática,
porque sabem que os sintomas podem voltar, eles querem saber.
Essa é a dignidade do analisando. Querer saber sobre o que lhe
acontece é a melhor forma de não ter uma recaída.
É a essas pessoas que querem saber, que não querem ser moribundos ou
mortos-vivos que a psicanálise se dirige, possibilitando que
eles descubram qual é o seu desejo.
Andreneide
Dantas
Psicanalista
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