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Trabalho
de Conclusão do Curso "Psicanálise com
Crianças"
O
Curso teve início em 21 de outubro de 2000 e término
em 15 de setembro de 2001. Foi oferecido pelo Instituto
Tempos Modernos sob a coordenação de Andreneide
Dantas e Joceri Merlin.
Meu
objetivo inicial era o de buscar novos conhecimentos, rever
conceitos já aprendidos, um melhor aprimoramento para
executar bem meu trabalho profissional.
Terminei
minha Faculdade "FMU" em 1994. Nunca trabalhei
na áres, optei por cuidar da minha familia, meu lar.
Porém,
esse desejo que ficou reprimido durante esses 06 anos, retornou
com muitas expectativas e também muitas inseguranças.
Como
retornar? Qual o melhor caminho a tomar?
Primeiramente,
procurei o CRP para legalizar minha situação
financeira e poder atuar como psicóloga.procurei escolas
que pudessem me oferecer cursos de atualização,
aperfeiçoamento, especializações.
Quero
voltar, mas com os pés no chão, consciente de
que a tarefa de lidar com o "Ser Humano" é
de muita responsabilidade. É atrás dessa dignidade
profissional que estou trabalhando.
Através
da minha irmã (Inês) conheci o curso e
a escola.
No
início não entendia muito a escolha "Psicanálise
com Crianças" e também a diferênça
entre Psicanálise e Psicanálise com Crianças.
No
decorrer do uso aprendi que a Psicanálise não
trabalha com especificações, mais sim com o
sujeito. A diferêça que existe entre uma criança
e um adulto é em relação a sexualidade.
O analista não é especialista, o que ocorre
é que no atendimento a criança, existem algumas
especificações. O restante fica para resolver
na minha própria análise.
Mas
que sujeito é esse?
É
o sujeito do inconsciente, sem identidade, sem idade cronológica.
Aquele que anuncia significados, que ignora.
Antes de nascermos já somos esperados, já existimos
na fala de nossoa antecessores. É um saber pré-existente,
que o determina, é um lugar chamado Outro. É
por isso que o sujeito pré-existente ignora o que diz,
porque o que diz provém do Outro da linguagem.
Poe
exemplo, quando uma criança vem ao mundo é designado
po "é menino ou é menina". E um destino
anunciado por aqueles que o escolhem, um destino que parece
ser incontável. Porém, o ser humano não
é só biológico e é de imediato
imerso na linguagem. O bebê nasce menino ou menina,
mas além disso algumas coisas precisam acontecer para
conseguir se tornar homem ou mulher.
O
bebê a partir da mãe vai conhecer seu corpo.
A palavara tem potência transformadora. Sua inscrição,
o corpo e suas funções entram em falência.
É no corpo da mãe que a criança colhe
suas primeiras representações , ou seja, só
há boca porque há seio, só há
corpo porque há toque, só há equilíbrio
porque há o olhar (da mãe ou de quem ocupa
esse lugar).
Muitas
crianças são portadoras dos dsejos de seus pais.
Deseja o filho para que?
Na verdade a criança só nasce se tiver um lugar
da falta em relação ao desejo de seus pais.
Embora negado, é um desejo inconsciente.
A
criança vem para ocupar o lugar da falta que existe
para toda a mulhe, vem no lugar do falo que falta a mãe,
vem para ocupar uma promessa que foi feita lá na sua
infância, em relação ao Complexo de Édipo.
Em
psicanálise falo (pênis) é objeto
do libido durante o estágio da sexualidade infantil,
isto é, antes do desenvolvimento da primazia genital.
Enquanto
a criança ocupa lugar de falo, o que falta a mãe,
a criança se eitua somente no Outro e permanece estranho
a si.
É
preciso que alguém "o analista" movido
pelo desejo de escutar retorne ao sujeito aquilo que foi dito
na ignorância.
Desde
o desmame até a vida adulta é na separação
que se inscreve a história. Muitas mães não
suportando estas separações tornam difíceis
a independência de seus filhos. Sintomas podem vir a
se inscrever no corpo de seus filhos se a mãe não
efetiva estes estes limites que significam sua falta.
Uma
criança precisa ser significada não apenas como
uma criança que nasceu, um bebê, mas como um
filho.
É
preciso que ela (a criança) saiba o valor da
sua vida.
Analisar
crianças é torná-las responsáveis
por seus atos, escutá-los como "sujeito"
e não como filhos.
O
psicanalista vem para denunciar o mal estar nas relações
humanas, proporcionando um lugar de produção
de um dizer, onde o sujeito se implique no que diz e possa
fazer mudanças e rupturas que o impulsionem na direção
da cura.
A
psicanálise possibilita que o sujeito adulto ou criança
signifique ou resignifique sua história singular, podendo
mudar o rumo da sua história.
As
crianças não são detentoras do pedido
de análise, não pagam o tratamento e não
podem decidir sozinhas sobre os horários e é
também importante lembrar a diferênça
de sexualidade do adulto e da criança (só
com o início da puberdade, é atingida a sexualidade
genital adulta).
Geralmente
são os pais que nos procuram para pedir uma análise
para os filhos, ou como protexto para pedir análise
para si mesmo. Outros porque o médico pediatra, a escola
indicou.
O
curso diz que o sujeito que fala difere do sujeito dos outros
discursos: médio, pedagógico, psicólogo.
Estes incluem a criança num saber técnico que
busca um ideal de perfeição, normalidade e um
percurso de desenvolvimento.
É
preciso como "analista" escutar os que nos
procuram e ler de quem é a demanda. Dar a importância
as Entrevistas Preliminares. É o tempo necessário
para que o paciente na sua fala, na sua queixa, possa indagar-se
sobre seu sintoma e que sua queixa dê lugar para o enigma.
É
importante para que o tratamento tenha lugar estabelecer uma
transferência para os pais como condição
de transferência com a criança.
Precisamos
como analistas consultar a criança para ver se ela
concorda em vir falar-nos.
A
análise permite para a criança a possibilidade
de castração, onde o limite não está
operando, os analistas sustentam as leis.
O
trabalho analítico é justamente o de tornar
as crianças ou adultos responsáveis pelos seus
atos, às vezes a única possibilidade que uma
criança tem de se responsabilizar é decidindo
não ir á análise.
É
preciso diferenciar a criança de seus pais, escutá-la
apenas como sujeito. Ressalto a importância de transferência
para que a demanda se constitua e o saber não sabido
"emerja".
Com
crianças percebemos que está ocorrendo transferência
quando algo acontece,o jogo o brinquedo, passa a circular
pela sala durante a sessão analítica, ou mesmo
quando nos chame para participar do jogo. Pergunte o vamos
fazer hoje? Etc.
O
diagnóstico na clínica com crianças deve
ser buscado no registro do simbólico e em relação
ao complexo de Édipo. O brincar das crianças
podem simbolizar suas ansiedades, suas fantasias.
É
preciso que no triângulo filho-mãe-falo, haja
a incidência no nome do pai que leberte a criança
de ferecer-se a mãe como aquilo qua falta a ela.
O
pai é quem pode tirar a criança do impasse de
ser o falo da mãe, se a mãe destrói completamente
a incidência da função paterna, a metáfora
não ocorre.
Trabalhar
na clínica com criança implica uma responsabilidade
e um desejo do analista que tem a ver com aventura de poder
suportar esta fratura no saber, adimensão da própria
castração.
A
psicanálise é baseada em três regras básicas
que funcionam também com as crianças. A associação
livre (do lado do paciente) e a atenção
flutuante e abstinência (do lado do analista).
Isto para que uma análise se dê a contento.
É
preciso que o analista forneça ferrramentas necessárias
para a abertura do inconsciente.
Cada
criança escolhe um análise, umas escolhem desenhar,
outras jogar, verbalizar, cantar.
Na
análise com crianças muito novas ou mesmo com
adolescentes muitas vezes nos valemos de jogos, desenhos,
como forma de associações livres.
Ao
brincar, as crianças evidenciam seus sintomas, o sintoma
familiar.
É
comum encontrar nas clínicas crianças que ao
brincar não encontram sustentação para
encenar um faz- de-conta. Pois para elas, tudo é estampado,
não há nada para imaginar, para ser investigado.
Diferente de nossa infância onde as imagens eram constituídas
em nossa imaginação ao ouvirmos contos, músicas,
histórias contadas por nossas avós, tias. Hoje
os livros infantis são plenos de imagens. Não
há preval~encia da palavra e sim das imagens.
Pouco
a pouco a televisão, os computadores, começaram
a ganhar terreno dentro da pespectiva da interatividade. Nas
telas do cinema, televisão, vídeo-game, crianças
assistem, mesmo que não busquem cenas ligadas a violência,
sexualidade, terror,etc.
Esse
novo lugar que a criança ocupa gera solidão,
muitos se perdem sem saber que lugar é esse e o que
se espera dele.
A
criança em análise não exige do analista
apenas atenção flutuantes, mas colocação
de limites, disposiçaõ de jogar, de brincar.
O
sujeito (a criança) é suporte das tenções
inconscientes dos pais e está marcada pelo não
dito destas tenções e segredos.
Não
se trata de culparmos os pais pelos sintomas,mas de sabermos
que as crianças carregam sintomas, ressonância
libidinais inconscientes dos pais.
Como
o analista lê a mensagem dos desenhos que as crianças
fazem em análise?
O
enigma que um traçado, um rabisco ou desenho representa,
somente pode ser desvendado pelo seu autor. O que percebemos
é que existe uma evolução do rabisco
até a produção alfabética.
Em
análise convidamos a criança a falarem sobre
o que fizeram, é nesta fala que aparecerá o
sujeito da encenação.
O
Outro do desenho do jogo, estão regidos pela lei da
linguagem.
Muitas
pessoas acreditam que a criança vem para análise
brincar.
Na
análise não brincamos, trabalhamos muito.
Todas
essas produções inconscientes da criança
são importantes para o tratamento.
Para
Freud a criança brinca onde o adulto fantasia e, ao
interrompermos as possibilidades lúdicas de uma criança
interrompe-se o meio que ele representa para ir armando suas
próprias fantasias.
É
através dos jogos, desenhos, que a criança pode
elaborar o comflito édipico e sua angústia de
castração.
O
jogo é fundamental tanto para a criança quanto
para o adulto que não o abandona (tudo o que dá
prazer, retorna).
O
sonho, além de ter como função biológica,
ser o guardião do sono, é importante saber que
o que dirige o sonho é um desejo e seu conteúdo
é a realização deste.
Os
sonhos que as crianças tem são frequentemente
pura realizações de desejos e não apenas
enígmas a serem decifrados.
É
experiência do dia que deixou alguma mágoa ou
algum anseio não satisfeito. É uma forma de
recordar. Com crianças contamos apenas com restos diurnos
para que o sonho seja produzido. É sempre material
infantil. Invariavelmente ligado ao Complexo de Édipo
e Castração.
A
criança sonha para elaborar algo que não é
possível de outra forma. Como por exemplo: monstros,
seres perseguidores, que matam o pai, os irmãos, os
rivais.
Existem
final de análise para crianças?
Se
a análise contribuir para um corte que um pai (lei)
sozinho não pode fazer, se possibilitar para a criança
um lugar mais claro e definido na familia, liberto do jogo
materno, podemos considerar como o desenlace de uma análise.
A
análise proporciona uma troca de posição.
Tanto para a criança como para o adulto, ambos sujeitos
desejantes.
É
comum quando uma criança não apresenta mais
as queixas que a trouxeram a análise demonstrarem desejo
de descobrir outros saberes, outros lugares, concordando que
é a partir daí que poderão se decfrontar
com outros saberes, valendo-se do que aprenderam em sua própria
análise.
Para
o paciente é importante saber que não esteja
mais sofrendo seus sintomas e tenha superado suas ansiedades
e inibições e que o analista julgue que não
há necessidade de temer uma repetição
no processo patológico em apreço.
Obs:
Se há necessidades externas de alcançar o objetivo,
é melhor falar em análise inacabada.
Ao
finalizar o curso restou-me uma questão? Como alguém
pode tornar-se um analista?
P/ Freud - "Através do seus próprios
sonhos"
P/ Lacan - "O fim da análise produz um analista"
O
analista escuta e marca as falhas, lê os equívocos
que as palavras transportam. Permitem que aquele que fala
escute o que não escutava antes, veja o que não
podia ser visto, oque não sabia.
Isso
só poderá acontecer se o analista tiver passado
pela sua própria análise. "purificaçaõ
de Alma " em termos Freudianos.
AGRADECIMENTOS
Aos
grandes mestres da Psicanálise Freud e Lacan, as coordenadoras
do curso e as alunas que através de suas experiência
clínicas trouxeram exemplo que facilitaram o entendimento
teoria-prática .
CONCLUSÃO
Os
objetivos iniciais foram satisfeitos. Apliaram-se novos horizontes
e o reconhecimento pessoal da necessidade não só
da coninuidade dos estudos como o mais importante ainda o
de iniciar Minha Própria Análise.
Célia
Regina Roder Martinez
Psicóloga - Tel.: 6946-8481
Trabalho
apresentado na Conclusão do curso "Psicanálise
com Crianças - 2001" no Instituto Tempos Modernos.
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